2006/02/27

cinema no Virgínia 7 | 2006

O FATALISTA
de João Botelho
1 Março 2006 21:30


















Tudo o que de bem ou de mal nos acontece "cá em baixo", está escrito "lá em cima". É a frase preferida de Tiago (tradução de Jacques, porque vem dos santos), motorista de condição, para justificar todas as suas surpreendentes acções, quando através de um estranho Portugal conduz o seu patrão na delirante e interminável história dos seus amores. Narrativas múltiplas para aventuras desconcertantes, sexo e poder à flor da pele e na parte mais obscura dos cérebros, poder e saber em guerra desenfreada, a luta de classes como motor do mundo e a revelação do comportamento dos homens e das mulheres e da consequência das suas acções. Sem um segundo de descanso, hoje como há três séculos atrás, um texto vigoroso, brutal, obsceno e revolucionário corre de par com um humor requintado, num jogo que Diderot levou tão longe e tão fundo que se transformou no jogo do mundo.

Com:
Rogério Samora
André Gomes
Rita Blanco
Suzana Borges
José Wallenstein

http://www.madragoafilmes.pt/ofatalista/

2 comentários:

rdinis disse...

Tudo o que de bem ou de mal nos acontece "cá em baixo", está escrito "lá em cima"
Frase-chave que em si "encerra" a obra inspiradora de Diderot (sec XVIII).
Já tinha visto uma adaptação ao teatro de "Jacques e o seu amo"; obra inspirada na primeira ("Jacques, o fatalista").
Já podemos concluir do meu agrado por ambas as adaptações que tive oportunidade de ver. A questão (e volto à primeira) é que deve estar escrito (disso estou certo!) "lá em cima" que o cinema português tem poucos recursos. Mais! Para além dos poucos recursos, deve estar escrito lá em cima, que não há nada a fazer! Que tudo o resto é proporcional! Actores, direcção de actores, técnica e montagem!!
Está escrito lá em cima que temos que "gramar" conteúdos (sejam bons ou maus) em "embalagens" gastas e "usadas". Que temos que ver os microfones de captação de som no meio de uma cena com figurinos paupérrimos... que temos de assistir à acção com uma enorme monotonia de planos e montagens, com um som péssimo! Que temos que, ainda assim, gostar e louvar porque, afinal, o elenco é excelente (e numeroso)!
Não sei! Nem me parece relevante saber quanto recebeu este (ou qualquer outro) filme do ICAM, RTP e afins. Nem quais as prioridades dos directores e produtores. A desiquilibrar a proporcionalidade entre meios e resultados está a criatividade, empenho, porque não génio! Enfim... Relevante é que esperava mais empenho, mais criatividade! A forma é pobre, e para o ( e perdoem-me agora ser mauzinho!) deve ter ganho aquele elenco mereciamos (sim nós! os espectadores! o público!) muito mais!

Anónimo disse...

Só para dizer: eu não escrevia melhor!!!!sim sr., melhor faziam se apoiassem independentes...mas...é o país que temos

Nimué